.::GILMAR CARDOSO::.

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Previsao do Tempo


 

POR QUE UMA ACADEMIA DE LETRAS EM CAMPO MOURÃO?

  Túlio Vargas, 3º Ocupante da Cadeira n.º 23 da Academia Paranaense de Letras, cujo Patrono é Fernando Simas, o fundador do Clube Republicano; é o  atual presidente da centenária entidade, bisneto do célebre sertanista e político Telêmaco Borba, ex-presidente da Associação dos Advogados do Paraná, um dos fundadores do Partido Democrata Cristão - PDC, pelo qual disputou com sucesso, em 1961, uma cadeira de deputado estadual, reelegendo-se na legislatura seguinte; Em 1970, ascendeu à Câmara Federal, obtendo a reeleição no pleito subsequente. Foi nomeado, em 1974, no Governo Canet Júnior, Secretário de Estado da Justiça e confirmado, posteriormente, nos governos de Ney Braga e Hosken de Novais. Ocupou a presidência do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, em seguida, foi nomeado Procurador Geral do Estado junto ao Tribunal de Contas do Paraná, cargo em que se aposentou.  Historiador, notadamente na área biográfica, gênero em que se especializou, têm publicado muitos livros, dentre os quais "Memórias do Lions Clube", "Pé Vermelho" e a "História da República no Paraná".


            Esse acadêmico imortal, altruísta, capacitado e que está à frente da Academia Paranaense de Letras, fundada em 26 de setembro de 1936, desde o ano de 1995, inovou a administração da entidade, ao propor a descentralização da cultura, instituindo núcleos de letras e artes no interior do Estado, com apoio das Universidades, despertando o potencial aglutinador de cidades antes excluídas do desenvolvimento organizado na área da criação literária e artística. Alguns afirmam tratar-se de um verdadeiro "arrastão cultural", essa iniciativa pioneira , louvável e exemplar.


            Poucos meses de funcionamento dessas academias já permitem uma avaliação do elevado alcance do movimento de integração regional, em cujo itinerário despontam as raízes da tradição, dos costumes e da cultura. Basta observar os avanços registrados nas academias implantadas em Foz do Iguaçu, Palmas, do Vale do Iguaçu, dos Campos Gerais, do Centro- Norte, de Pato Branco, Maringá, Londrina, Cornélio Procópio e Guarapuava, dentre outras, cuja irrefreável ebulição coletiva contagia e estimula as comunidades periféricas. Está reacesa a chama da vocação, para o estudo e a pesquisa, em nível de colegiado, à procura do modelo cultural.


            Túlio Vargas que retornou a nossa cidade no dia 21 de maio de 2002 - Dia da Língua Nacional - instalando solenemente  a Academia Mourãoense de Letras, o 20º braço  da Academia Paranaense no Interior Paranaense, em evento histórico e  memorável que realizou-se no Teatro Municipal, empossando seus primeiros dez patronos e membros fundadores, avalizando o trabalho até então desenvolvido tendo à frente o dinamismo e a imparcialidade da Profª.  Sinclair Pozza Casemiro, vice-diretora da Unespar/Fecilcam; costuma enfatizar que "como a pedra que rola da montanha, o projeto de interiorização da cultura irá ainda mais longe, pois atende as aspirações de um estado em busca da sua história e da sua verdadeira identidade. É um instrumento de civilização", diz.


             O renomado escritor,  meu confrade do Centro de Letras do Paraná, acertadamente repetiu na ocasião, que "parece não haver dúvidas quanto ao papel que as academias de letras devem desenvolver como instrumentos de irradiação cultural e de representatividade intelectual. Basta dar-lhes os meios de organização e assistência, porque não lhes falta a consciência crítica desse compromisso". Destaque-se, ainda, sua luta em prol do fortalecimento dos estudos de História e Geografia do Paraná nas escolas da rede pública estadual, que segundo ele, deve ser tratada em todas as séries, pois os futuros cidadãos paranaenses devem ter conhecimento sólido sobre sua terra e suas origens. Também assumiu a defesa entusiasmada do Idioma Nacional, demonstrando através de estudos que são raras as propagandas por meio de cartazes e afins em casas comerciais, ou até placas de ruas, de acordo com as regras do vernáculo pátrio; posicionando-se, contrário à invasão vocabular advindo com o estrangeirismo progressivo.


            Juntamente com o grupo dos dez primeiros Membros Fundadores, tendo na presidência o eminente Rubens Luiz Sartori, honrou-me, sobremaneira, assumir a Cadeira n.º 01 da Academia Mourãoense de Letras, tendo como Patrono Adinor Cordeiro, o popular "Jibóia", um dos pioneiros do Rádio e do Jornal na cidade, tendo destacado-se à frente de programas musicais saudosistas  (Nos Braços da Saudade) ,e da sátira bem humorada que por mais de uma década foi lida pelo público fiel  de sua coluna, no Jornal TRIBUNA, sob a denominação de "Jiboiadas". O irmão e poeta, Alvino Cordeiro, sintetizou o sentimento coletivo através do poema "Reminiscências", onde descreve-nos" /Ah que saudade que eu tenho/ Da Coluna Jiboiada/ Na expressão satirizada/ Do saudoso Adinor/ Sem abusar do respeito/ Era um gozador perfeito/ Cheio de Graça e humor/".


            Por deferência honrosa e gratificante, eis me aqui, envaidecido, como dantes, no auge da juventude, ainda em 1991, assumi como membro titular do centenário Centro de Letras do Paraná, com sede em Curitiba; em 1992, novamente eleito, em Farol, "terra dos meus pais, berço dos meus filhos e morada dos meus amigos", o Prefeito mais jovem  do Paraná, dentre os escolhidos para a gestão administrativa 93/96; agora, novamente, a emoção de se tornar partícipe do convívio acadêmico e ao fazê-lo, ainda que utilizando-me da expressão poética de Manuel Bandeira, na condição de "poeta menor", lembro Geir Campos ao afirmar, "não faz mal que amanheça devagar.../ as flores não têm pressa, nem os frutos..../pois sabem que a vagareza dos minutos, adoça mais o outono por chegar...".


            Conclamo aos meus confrades e confreiras, além dos futuros acadêmicos, até que se complete o quadro efetivo de quarenta cadeiras, para que nessa etapa especialmente missiva de nossas vidas, não nos constituímos acadêmicos para usufruir, à sombra da chamada imortalidade, da vitaliciedade da existência, mas sim, para que nesta Casa, a ser composta de  novos e velhos, conservadores e liberais, modernos e anti-modernos, conformados e insatisfeitos, possamos unir nossas mãos para o culto da literatura e da arte, no verdadeiro sentido da sua acepção.


            As condecorações, títulos, medalhas, comendas, troféus e prêmios que, honrada e honrosamente, conseguimos e conquistaremos, farão parte, a partir dessa data, do patrimônio cultural de nossa sociedade. Em nome da Academia Mourãoense de Letras, expresso saudações e dou testemunho do afeto e admiração entre todos - operários da cultura local e regional - que buscarão parcerias institucionais, para a sagração acadêmica.


            Concluo, com Ulysses Guimarães, em discurso memorável proferido em 1973, ao aceitar a candidatura a presidente da república, "A caravela vai partir. As velas estão pandas de sonho, aladas de esperança. O ideal está ao leme e o desconhecido se desata à frente!".


 


             PS:  Para todos lembrarem o que não pode ser esquecido, Túlio Vargas, modesto, aplaina a fogueira das vaidades e explica aos presentes  que o termo "imortal", na verdade,  é utilizado para simbolizar "aqueles que não têm onde cair morto!".


 


 


            GILMAR CARDOSO, advogado, poeta,  do Centro de Letras do Paraná e membro fundador da Cadeira n.º 01 da AML.




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