Lembro-me de tantas vezes que já falei sobre o tema por ocasião dessa data e como tudo mudou! Antes, versava sobre as conquistas, os avanços, o espaço social, econômico e político ocupado pela mulher. Incitava que elas exercessem o direito de cidadã. Falava da violência, da discriminação, das diferenças salariais, da competição com os homens e da necessidade em disputar os lugares e papéis.
Mas agora, a feminilidade também é importante. A submissão foi para o espaço. A mulher está dizendo a que veio, tem desejos e proporcionalmente, aumentaram suas responsabilidades. É preciso respeitar as igualdades nas diferenças, a dimensão da mulher-mãe é diferente da do homem-pai. Existe nelas uma terceira jornada, afinal de contas, quem faz supermercado, açougue, farmácia, cardápio, compras diversas, matrículas, médicos, etc, ainda é a mulher. É sempre ela quem comanda a organização ou a administração do lar.
Ser vaidosa, feminina e ter a casa bem cuidada, voltaram a Ter importância. Tudo evidencia que a mulher quer mesmo, antes de tudo, é ser mulher. Querem sim, carinho, atenção e romantismo. Ou alguma mulher ousa negar que adora ganhar flores, cartões , jóias ou presentes! Essas coisinhas, aparentemente tolas, mas tão importantes, agradam a auto-estima e alimentam as relações. Vale para os dois.
O maior desafio da mulher continua sendo conciliar os papéis de esposa, mãe, mulher, profissional, etc. As mulheres assumiram um importante papel na mudança da sociedade ao longo dos séculos e chegaram ao terceiro milênio com cara própria: nome, profissão e identidade, dizendo que querem ser parceiras na construção de um novo tempo em que homens e mulheres serão, igualmente, seres humanos com direitos iguais garantidos e respeitados.
É preciso lembrar sempre que a democracia é essencialmente fundada sobre a universalidade. Por outro lado, em razão das liberdades fundamentais, uma sociedade democrática não pode ser intransigente com as diferenças. Deve não somente admitir mas ainda inserir profundamente as especificidades femininas, que, a despeito de serem essencialmente próprias, são portadoras de uma mensagem que a história lhe confiou e que a todos se destina.
Comungamos com o compositor Milton Nascimento, para quem “Mulher é muito mais que ter um sexo. É mais que ser do homem complemento. É mais que ser o avesso e o diverso. Mulher é muito mais que sofrimento!”. Igualmente com Guaraciara Leal, que afirma, “Quebramos amarras e construímos, no tempo, um outro tempo. Somamos braços, olhos, cabeças e pernas e nos fizemos uma. Somos filhas da força e da coragem, da crença e da paixão, do vento, do sol e do mar. Somos filhas do chão e do ar, do sonho e da dor. Mulher!”.
Valorizamos sobremaneira o estético, a beleza glamourosa, atribuindo a ela importância superior à inteligência. A sensatez recomenda, porém, que se tiver que optar entre uma pessoa fisicamente deslumbrante e outra sedutoramente inteligente e se não for possível aliar as duas coisas na mesma criatura, dê preferência à segunda opção, sobretudo em se tratando de casamento. Quando mais tarde, a beleza cansar – já não encantar tanto – e a libido se fragilizar e não atender mais aos apelos das formas perfeitas, pelo menos restará um diálogo inteligente, rico e denso. Na velhice, isso é quase tudo que se pode desejar. Beleza atrai, mas não sustenta. Põe mesa, mas não mata a fome da alma. A Bíblia Sagrada, através do Livro dos Provérbios 31,10, diz que “Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la? Superior é o seu valor ao das pérolas. Confia nela o coração de seu marido e não precisa jamais de coisa alguma”.
Como poeta, entendo inútil tentar decifrar as mulheres. Esse intenso universo de emoções, sensibilidade e força. Fundamental é entender e admirar essa mulher que rompeu barreiras, enfrentou o mundo e mostrou o seu valor. Importante é perceber que essa mulher alcançou tudo isso sem abrir mão do mais importante: ser Mulher!.
Nessa comemoração onde recordamos o histórico 08 de março de 1857, quando muitas operárias de uma indústria têxtil de Nova Iorque, Estados Unidos, reivindicaram redução de horas de trabalho e equiparação salarial com os homens e resolveram entrar em greve, quando foram então violentamente espancadas e mais de cem delas morreram queimadas nas fábricas, e a partir desse doloroso e vergonhoso acontecimento, a passagem da data em cada ano vem sendo dedicada à mulher, inclusive, tendo sido em 1975, oficializada pela Organização das Nações Unidas – ONU, como sendo o “Dia Internacional da Mulher”, esperamos com fé que todas possam dizer de cabeça erguida, “Rompi barreiras que me negavam o mundo e a vida. Ganhei ruas e praças e me fiz ouvida. Sou mulher e penso. Sou mulher e trabalho. Sou mulher e estudo. Sou mulher e procrio. Sou mulher e me permito prazeres. Sou amante e sou companheira!”.
De uma amiga, recebi a seguinte advertência, endereçada obviamente, às mulheres: “Não quero dizer que vão fazer igual. Mas se eu ficasse grávida, seria daquele homem. E a ele eu iria dizer: fulano,vamos ser pais. E se ele me olhasse com cara de desconfiança, seria seu último olhar para mim. Afinal, nós dois sabemos o que fizemos. Nunca mais ele poria os olhos em nós dois, mãe e filho. Criaria meu filho para um dia reclamar seus direitos, sem a minha participação, a não ser a de lhe contar a história da sua concepção, pois é do filho essa história; o que seu pai fez, o que eu fiz; lhe daria o endereço do pai e ensinaria o caminho para ir reclamar seu nome, se quisesse, seus direitos.
Amor é uma coisa linda, mas admiração é algo que vem junto com o amor, e é daí que nasce o respeito, mais amor, saudade, até paixão. Quando o amor é bonito, minha gente, e as pessoas se merecem, a paixão vai e volta, vai na primeira briga , e volta mais forte na Segunda. Meu filho teria direito a pai, aos seus bens, ao seu nome. Quanto a mim, esse pai já teria ido pro raio que o parta, afinal quem faz, sabe que faz, principalmente, quando transa. Não há mais filho por obra e graça do Divino Espírito Santo. Esse foi único, Jesus!”.
Por fim, recordo a canção de Erasmo Carlos, “Dizem que a mulher é um sexo frágil, mais que mentira absurda...”. Como testemunho de marido e pai, posso citar a Dina, minha esposa, que à exemplo de tantas outras mulheres, têm dado provas da coragem, determinação, garra, luta, empreendedorismo e força de vontade que tem proporcionado à nós, os homens, sermos infinitamente melhores.
À ela, o poema “Confissão”, onde “Tinha preparado várias frases para dizer, mas concluí que todas tinham o mesmo sentido: - Eu te amo!”.
Parabéns à todas as mulheres, pois na verdade, não somos nada sem vocês, que saíram de um pedaço da costela, para não estarem acima nem abaixo, mas ao nosso lado vencendo barreiras e obstáculos quotidianamente.
* GILMAR CARDOSO, ADVOGADO, POETA, MEMBRO DO CENTRO DE LETRAS DO PARANÁ E DA ACADEMIA MOURÃOENSE DE LETRAS.
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