.::GILMAR CARDOSO::.

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Previsao do Tempo


 

O DIA DO PROFESSOR

“Professor,


Para quem aprendeu a admirar,


Falar torna-se difícil.


Para quem é embriagado diante da sabedoria


De um ser como vós,


Não é fácil entremear verbos,


Artigos, pronomes, vocativos e apostos,


Até porque nunca encontrará os


Predicados corretos para expressar


A grandeza do sujeito,


Objeto direto da oração ““.


 


(Gilmar Cardoso, na dedicatória do livro- Poetar é Preciso - 1992)


 


           


                        O Dia 15 de Outubro marca a passagem do Dia do Professor. Há exatos 176 anos o então Imperador Dom Pedro I apresentava a disposição em instalar escolas primárias no Brasil, que estava independente de Portugal há cinco anos. Embora oficializado em lei somente em 1963, foi esse o motivo da comemoração nessa data do dia dedicado aos professores.


                        Costumo repetir com freqüência que “um povo que não vai à escola, não vai a lugar nenhum!”, portanto, discordo do chavão característico do “nada a comemorar!”, por entender sê-lo simplista e incapaz de expressar a condição do magistério no país. É oportuno que a celebração de um dia específico venha acompanhada de uma reflexão maior sobre as condições de trabalho e a real importância desses abnegados profissionais.


                        Um amigo educador dizia-me que algumas efemérides são criadas por publicitários e outras pelos comerciantes, movidas pela lógica do mercado, tais como o Dias dos Pais, das Mães, das Crianças, dos Namorados, dos Avós; mas que o Dia do Professor sempre foi uma data reverenciada e que não tem muito a ver com a questão comercial em si. Até mesmo por uma razão bastante óbvia: a pauperização do professorado; dizia-me, pois, se depender do poder aquisitivo dos professores e professoras deste rico Brasil, que a cada dia aumenta a sua concentração de renda, fazendo com que os mais ricos fiquem cada vez mais ricos, o comércio não vai viver um dia de euforia.


                         O arrocho salarial já constatado cotidianamente por todos os professores foi objeto de estudo da Unesco, recentemente publicado, envolvendo 47 países, incluindo o Brasil, onde ocupamos a terceira pior média salarial para o caso dos professores em início de carreira, superando apenas a Indonésia e o Peru.


                        A pedagoga Madalena Freire, autora do livro, A paixão de conhecer o mundo, afirma que “o educador educa a dor da falta, cognitiva e efetiva, para a construção do prazer. É da falta que nasce o desejo. Educa a aflição da tensão da angústia de desejar. Educa a fome do desejo. Um dos sintomas de estar vivo é a nossa capacidade de desejar e de nos apaixonar, amar e odiar, destruir e construir. Somos movidos pelo desejo de crescer, de aprender, e nós, educadores, também de ensinar”. Portanto, comungo desse pensamento de que ensinar e aprender são movidos pelo desejo e pela paixão.


            Afirmo com convicção que desde a mais elevada das profissões até a mais simples de todas, devem muito aos nossos educadores. O futuro passa por uma sala de aula. Se a educação é cara, experimente a ignorância, recorda-nos um antigo provérbio. Essa categoria profissional é uma das principais responsáveis pela formação de cidadãos e cidadãs, inclusive, que poderão vir a ser os profissionais e os políticos que administrarão o País.


            O 15 de Outubro é um dia de muita comemoração, mas também um dia de luta. Mas uma luta que não esconde e não esconderá as fraquezas e as dificuldades do setor. Por isso, ela não é uma luta e uma comemoração de um único dia, mas sim, uma celebração cotidiana dos que estão cientes  de que não existe nação desenvolvida sem investimento em ensino e que nada é mais eficiente que a educação para a melhoria da qualidade de vida. O desenvolvimento e a formação escolar precisam caminhar de mãos dadas.


            Compreendo que o professor até deixou de ser uma referência como dantes, mas, ao reencontrarmos o papel do professor, não devemos vê-lo, isoladamente, como se fosse o único incumbido da causa da educação, mas, percebê-lo como elo aglutinador de um processo educativo que precisa envolver todas as instâncias da sociedade. A educação precisa ser um processo que interage continuamente na realidade.


            Nesse sentido, o Dia do Professor deve convidar-nos a todos a refletir melhor sobre a causa da educação, e nos perguntar pelos caminhos adequados de assumi-la com responsabilidade. Como diziam os latinos, “non schoale, sed vitae discimus” – não aprendemos para a Escola, mas para a vida -.


            Temos um sonho: que o amanhã será melhor, que a educação será prioridade neste País e nós teremos contribuído com nosso trabalho, com nossa perseverança, com nosso desejo de mudar. Dom Hélder Câmara dizia que quando um sonho é compartilhado, dá-se o primeiro passo para torná-lo realidade. Não há educação sem esperança. E como ter esperança é o primeiro dever do homem, desejamos que jamais a percamos.


            Professor: o verdadeiro educador é o que acompanha as mutações da vida, dos tempos e dos comportamentos. Nenhum caminho é íngreme quando se tem esperança, nenhum ideal é inatingível quando se tem coragem e nenhuma luta é insana quando se sabe aonde chegar. Em reconhecimento a tua luta, a teu esforço, a tua coragem, a teu compromisso com que desempenhas o papel de educador, a nossa modesta e sincera homenagem.


 


 


* GILMAR CARDOSO, advogado, poeta, membro do Centro de Letras do Paraná e titular da cadeira nº 01 da Academia Mourãoense de Letras.



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