
25 DE JULHO. DIA NACIONAL DO ESCRITOR, por GILMAR CARDOSO
“Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias!” (Pablo Neruda, poeta chileno e prêmio Nobel de Literatura).
Diversos escritores já manifestaram-se sobre o dom expressando, por exemplo que escrever é ter a oportunidade de poder viajar levando o mundo inteiro na bagagem. João Cabral de Melo Neto disse que escrever é estar no extremo de si mesmo; enquanto que Carlos Drummond de Andrade afirmou que escritor não é somente uma certa maneira de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra. Por sua vez o romântico pintor francês Eugène Delacroix selou que o mais belo triunfo do escritor é fazer pensar os que podem pensar.
Compartilho do pensamento do poeta e pensador inglês Samuel Johnson de que as duas coisas mais envolventes de um escritor são tornar familiares as coisas novas e tornar novas as coisas familiares.
Neste domingo, dia 25, celebramos no país o - Dia Nacional do Escritor -. A data comemorativa surgiu a partir do I Festival do Escritor Brasileiro, realizado no ano de 1960 e que foi idealizado pelos membros da diretoria da União Brasileira dos Escritores (UBES), os renomados João Pelegrino Júnior, presidente da ABL, contista e ensaísta, sexto ocupante da Cadeira 18 da Academia Brasileira de Letras saudado pelo acadêmico Manuel Bandeira e Jorge Amado, um dos maiores representantes da literatura brasileira modernista, com uma obra marcada pelo regionalismo e pela denúncia social; ocupantes dos cargos de presidente e vice da entidade, respectivamente.
Em homenagem ao evento promovido em um shopping center no bairro carioca de Copacabana e que reuniu cerca de 170 autores nacionais, o Ministro da Educação e Cultura da época, Pedro Paulo Penido decidiu oficializar a data através da edição de uma portaria oficial datada de 21 de julho de 1960.
O documento destacava expressamente que por considerar o 25 de julho uma data significativa em função da realização do festival e pelo fato que segundo ele, a instituição que congregava os escritores tinha prestado à cultura nacional relevantes serviços, estimulando as letras e defendendo os direitos de quantos a elas se consagram.
Hoje, entendo a efeméride como um importante oportunidade para a valorização e divulgação dos escritores locais, regionais e paranaenses; além do que a data também serve para se levantar uma oportuna reflexão acerca das dificuldades pelas quais, eventualmente, os escritores passam no que se refere à produção e difusão de seus trabalhos.
Faço votos que a partir deste 25 de julho, os profissionais da cultura literária que expressam sua arte por meio das letras, palavras, linhas e livros possam ser vistos e reconhecidos com mais ênfase pela coletividade na expressão do talento e vocação postos à serviço de todos. Celebrar a existência desse sujeito social que tanto contribui e impacta a cultura, a educação e o conhecimento faz-se mais do que necessária. Afinal, o que seria do mundo sem os escritores? Não teríamos acesso aos livros, a leitura e nem a bibliotecas sem a vida dos produtores de conteúdos.
Cremos que a palavra faz sentir e faz pensar; a escrita é um dos principais caminhos para alcançar conhecimento, adentrar em outras realidades, refletir, denunciar, libertar, chorar e sorrir. Essas possíveis funções e sensações são alcançadas não somente na ficção mas também em outros gêneros textuais, como as notícias, as reportagens, os artigos de opinião. Assim, a arte de escrever não está ligada apenas à literatura, mas também às variadas escritas (impressas ou digitais) com as quais interagimos no dia-a-dia e que, de um modo ou de outro, nos transformam.
Os escritores paranaenses e brasileiros representam a identidade cultural do país, fazem das palavras a matéria-prima para sua arte. Através de pensamentos, sentimentos e opiniões, trazem a cada leitor diferentes emoções. Parabenizo todos aqueles que tem o dom de transcrever em palavras, histórias, sentimentos e vivências a vida em sua essência e lançam mundos nos mundo.
Concluo com a mensagem de Jorge Luiz Borges, para quem quando os escritores morrem, eles se transformam nos seus livros. O que, pensando bem, não deixa de ser uma forma interessante de reencarnação.
Escrever é um ato de coragem. No conselho do filósofo Greco Epicteto: - Se quiser ser escritor, Escreva!
GILMAR CARDOSO, advogado, poeta, é membro da Academia Mourãoense de Letras, do Centro de Letras do Paraná, da Academia de Cultura de Curitiba – ACCUR, da Academia Brasileira Rotária de Letras – Abrol/PR e Academia de Artes, Ciências e Letras do Brasil – Acilbras.
0 Comentários